Sábado, 21 de Outubro de 2017

O Repórter

Frei Neylor Tonin

Neylor J. Tonin é frade franciscano e descendente de italianos. Mestre em Espiritualidade, é formado em Psicologia, Sociologia e Jornalismo. Escritor e conferencista, professor de Oratória Sacra (Homilética), quer ser da vida "um bom pastor, um ardente profeta, um encantado poeta.
Frei Neylor Tonin

De Coração Aberto - Secundum quid

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Frei Neylor Tonin - 16 de fevereiro de 2014 às 11:16
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Elizabeth Bishop foi uma autora americana, considerada um das mais importantes poetisas do século XX a escrever na língua inglesa

Em relação a fatos e verdades, essa expressão latina, em seu significado assertivo, pode ser traduzida como “em parte” ou “relativamente”. À exceção das verdades matemáticas, todas as demais são “secundum quid”. “En passant”, eis alguns exemplos: A poeta norte-americana Elizabeth Bishop, que viveu alguns anos no Rio, externou em cartas suas impressões sobre o Brasil. Foram impressões duras e contundentes, pouco lisonjeiras, embora tenha sido aqui bem tratada e ter vivido um grande amor com a paisagista Lota de Macedo Soares. O Rio, segundo ela, era uma cidade decadente, o trânsito infernal e as ruas e edifícios de Copacabana eram simplesmente sujos. Eram? “Secundum quid”, evidentemente, eram. Vivi em Washington, na parte North East da cidade, por dois anos e costumava, às 18h00, dar uma Bênção do Santíssimo num Mosteiro de Clarissas, a uma quadra do Colégio onde residia. O Guardião me aconselhava a não ir a pé, mas de carro, por ser muito perigoso. Nem sempre obedecia. Muitas vezes caminhava por não ver perigo algum. Graças a Deus, nunca me aconteceu nada. Era perigoso? Era, “secundum quid”. Um confrade americano levou uns safanões e foi jogado ao chão na Rua 14, que dá acesso à Casa Branca, enquanto aguardava o ônibus de volta para casa. O Centro da capital americana era perigoso? Era, “secundum quid”. A quantos outros nada aconteceu.

Paris, a Cidade Luz, Roma, a cidade mais cheia de arte ao ar livre do mundo, tinham, quando lá vivi, metrôs pouco louváveis em termos de limpeza, nem comparáveis com a limpeza do Metrô do Rio. Os parisienses passavam pelas catracas do Metrô, que não engolia os bilhetes, e os usuários os jogavam no chão que ficava um lixo. Falta de educação? Quem ousaria dizê-lo? Em verdade, sim, “secundum quid”. Curitiba, a capital mais humana entre todas do Brasil, já foi cenário de crimes hediondos. Seria Curitiba uma cidade perigosa,amedrontadora? Sim e não, “secundum quid”. Padres e Pastores são muitas vezes acusados de ambiciosos, argentários, dinheiristas. Seriam? Sim e não, “secundum quid”. Mil outros casos e cidades poderiam ser arrolados. Não se fazem necessários.

Ninguém pode viver tão seguro de suas poucas e relativas experiências. Não se pode viver com tantas verdades apodíticas, redondas e definitivas. Por isso, não devemos nos irritar quando turistas, depois de uma visita de oito dias, falam mal de nosso país. Todas as impressões que levam de nós são parciais e muito relativas. Não precisamos ficar chateados quando observadores apressados e ceguetas falam mal de nossos comportamentos. Todos podem estar certos em parte, relativamente, “secundum quid”. Somos, sem dúvida, mais do que dizem e eles falam do pouco que nos conhecem. Duro é quando falam de boca cheia, arrotando sapiência, como se fossem senhores absolutos duma verdade que conhecem tão pouco e somente em parte. A eles poderíamos dizer: Na verdade, vocês estão certos, mas certos “secundum quid”. (E, para quem é ignorante e pouco afeito ao latim, adianto que “quid” se pronuncia “qüid”, com o ‘u’ tremado. Assim aprendi em aulas de latim, com um encanecido professor alemão, mas tenho minhas dúvidas. Não sei como Cícero teria pronunciado “secundum quid”, em seus incandescentes discursos, do alto da tribuna do Senado Romano.)

Domingo é dia de sermão

No Sermão da Montanha, que é relatado no Evangelho de Mateus, estão expressos os principais conceitos do cristianismo

O Sermão da Montanha ocupa os capítulos 5, 6 e 7 do evangelho de Mateus. Neste domingo, Jesus fala sobre a necessidade do perdão, uma das verdades que mais chocaram seus ouvintes, habituados ao “dente por dente, olho por olho”. Esta medida, aliás, não foi só dos judeus, é de todos os povos e pessoas. É difícil, muito difícil, perdoar. O ofendido, quando não trama vingança, quer ao menos justiça e punição. Jesus apresenta o perdão como condição para reaproximar-se a Deus. “Se estiveres diante do altar para apresentar a tua oferta e ali te lembrares que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa tua oferta lá diante do altar, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão e então volta para apresentar tua oferta” (7,23-24). Penso que nossas igrejas se esvaziariam, em parte, se isso fosse aplicado ao pé da letra. Na verdade, uma é a boca que louva a Deus e outra, bem outra, a que perdoa o semelhante ofensor. No fundo, os adeptos do Reino dos Céus são instados a ter um só coração que ama igualmente a Deus e ao próximo. É fácil amar a quem não se vê, Deus, diz o evangelista João, e odiar a quem se vê, o irmão. Quem assim procede é mentiroso, diz ele ecoando o Sermão da Montanha. Se pudesse te daria um conselho: Pega o telefone e liga para quem te ofendeu e convida-o para o perdão, pois é perdoando, como diz a oração de São Francisco, que se é perdoado. Depois, voltas para a igreja e aproxima-te do altar.



PLAC! PLAC! para o Papa Francisco e o Vaticano que criaram uma Comissão para proteger as pessoas contra abusos sexuais praticados por padres.
PLAC! PLAC! para a Suécia e a Holanda que estão fechando prisões por falta de candidatos.
PLAC! PLAC! para 93,4% dos brasileiros que são contrários às ações dos black blocs.

UUUH! UUUH! para o Presidente russo Vladimir Putin, filho de operários, cuja fortuna está avaliada em 40 bilhões de dólares.
UUUH! UUUH! para a Presidente Dilma que tomou partido nas acusações do PT contra o STF que condenou os mensaleiros.
UUUH! UUUH! para o Brasil que comparece com 15 entre as 50 cidades mais violentas do mundo. Maceió seria a sexta.

MEU DEUS! 80 pessoas foram executadas na Coréia do Norte pelas Bíblias encontradas em suas casas.
MEU DEUS! Os cinco países árabes que mais infligem maus tratos às mulheres seriam o Egito, a Arábia Saudita, o Iraque, a Síria e o Iêmen.
MEU DEUS! O número de estupros, no Brasil, em 2012, já teria sido maior do que o de homicídios.



“Uma resposta branda aplaca a ira, mas uma palavra ofensiva provoca a cólera. A língua dos sábios embeleza o saber, mas a boca dos insendsatos despeja tolices”. (Livro dos Provérbios, 15,1-2).

Frei Neylor. J. Tonin
neylor.tonin@terra.com.br
www.freineylor.net


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Comentários (1)
  • Antonio Carlos Sarkis Issa (Tete)

    frei Neylor Qual tem sido a periodiciade de sua coluna e quando ela é atualizada?

    23/02/2014 01:45 Carregando...
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