Sábado, 16 de Dezembro de 2017

O Repórter

Frei Neylor Tonin

Neylor J. Tonin é frade franciscano e descendente de italianos. Mestre em Espiritualidade, é formado em Psicologia, Sociologia e Jornalismo. Escritor e conferencista, professor de Oratória Sacra (Homilética), quer ser da vida "um bom pastor, um ardente profeta, um encantado poeta.
Frei Neylor Tonin

De Coração Aberto - O Papa no Brasil: 'Saiam às ruas!'

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Frei Neylor Tonin - 28 de julho de 2013 às 09:14
Marcello Dias / Agência O Repórter

Chegada apoteótica

O primeiro desfile do Papa, do aeroporto ao Palácio Guanabara, foi apoteótico. No Palácio, as coisas foram protocolares, o Papa se apresentando com uma mensagem religiosa e a Presidente Dilma num viés político inapropriado para o momento de boas vindas. Mas nas ruas, a multidão tinha um só rosto, o da alegria e emoção, e uma só voz, a da aclamação incontida. Quanta gente, e eu no meio dela! E o Papa foi passando como se estivesse chegando à sua casa. Mas quem desfilava não era só o Papa, eram os 20 séculos da Igreja, da Igreja com seus santos e mártires, com sua história retilínea e tortuosa de graça e com sua alma pecadora. Ele, o Papa, não era, mas representava tudo isso. Nele, no entanto, se concentravam a gratidão da fé e a (in)fidelidade dos seguidores de Jesus. Todo mundo gritava e aclamava. Podia-se ouvir o clamor de 20 séculos. Foi muito bonito que arrancou lágrimas nas pessoas. A chegada do Papa foi mais do que apoteótica. Foi um encontro da fé com o reconhecimento de Cristo como Salvador. E tinha que ser como foi, em meio à alegria, pois um cristão não pode ser triste, como ele costuma dizer. Os dias que se seguiram tiveram a mesma tônica. Não falarei sobre eles, mas não deixarei de confessar que gritei muito na Avenida Chile, por onde o Papa passava sorridente. Gostei do Papa e gostei dos jovens, gostei de todos, amei a nossa Igreja, a Igreja dos santos e dos mártires, a Igreja dos pobres, doentes e pecadores, a Igreja de Jesus Cristo. Pouco antes de me encostar nas grades da avenida, passei por um pastor, no Largo da Carioca, que concitava os passantes a se converterem. Disse amém, mas o convidei para ir conosco para ver a Igreja passar, apoteoticamente, com seu entusiasmo e sombras, na figura do Papa Francisco.

A figura do Papa

Como disse um carioca brincalhão: o Papa já fez seu primeiro milagre: fez o povo brasileiro amar um argentino humilde (este foi o segundo milagre). Brincadeiras à parte, os brasileiros encontraram uma figura sorridente, simples, humana, atenciosa, corajosa, paciente, incansável que não cansou a multidão com longos sermões. Aliás, ah!, se os padres (e os Bispos) aprendessem do Papa a falar com força e simplicidade, não mais do que 10 minutos! Mas mais do que ele disse, é preciso exaltar seus gestos e comportamentos. Não passou entre nós como Sua Santidade nem fez exigências abstrusas, como artistas, políticos e até jogadores de futebol. Passou num carro de janelas arriadas e num papa-móvel sem as laterais blindadas. Alma franciscana, dirão alguns, mas, sem dúvida, um homem de grande espiritualidade. Fazia o carro parar, tocando as costas do motorista, para beijar crianças, abraçar velhos, trocar seu solidéu e tomar seu “mate” argentino. E não deixava de sorrir. Corajoso, não se assustou quando teve que enfrentar um engarrafamento imprevisto. Suas mensagens foram, por isso, coerentes: esperança, alegria, reafirmação dos valores perenes e éticos, exaltação dos jovens e dos velhos. Como disse um ex-padre argentino, Alejandro Liberti, “um gesto pode equivaler a 50 anos de diálogo”. Não teve nenhuma palavra contra outras igrejas. Execrou apenas os ídolos do dinheiro, do poder, do prazer, do clericalismo carreirista, do fechamento sobre si mesmo e pediu: “Saiam às ruas!” Parecia ser ainda o Cardeal de Buenos Aires. Pediu à Igreja que se faça povo, que saia das sacristias e ame o cheiro das ovelhas. Possivelmente, era este o Papa que a Igreja precisava. Que Deus seja bendito, em louvor de Cristo. Amém.

Algumas ideias do Papa (expressas até sexta-feira)

“Aprendi que para ter acesso ao povo brasileiro é preciso ingressar pelo portal de seu imenso coração. Por isso, permitam-me que, nesta hora, eu possa bater delicadamente a essa porta”.

“Repitam comigo: Bote fé! Bote esperança! Bote amor!”

“Nenhum esforço de pacificação será duradouro numa sociedade que deixa à margem, que abandona, na periferia, parte de si mesma”.

“Vocês, queridos jovens, possuem uma sensibilidade especial frente às injustiças, mas muitas vezes se desiludem com notícias de corrupção, com pessoas que, em vez de buscar o bem comum, procuram seu próprio benefício”.

“Não existe verdadeira promoção do bem comum, nem verdadeiro desenvolvimento do homem, quando se ignoram os pilares fundamentais que sustentam uma nação: a vida, a família, a educação integral, a saúde e a segurança”.

“Ninguém pode permanecer insensível às desigualdades que persistem. Que cada um saiba dar sua contribuição para acabar com as injustiças sociais”.

“Gostaria de chamar a atenção para três simples posturas: conservar a esperança, deixar-se surpreender por Deus e viver na alegria”.

“É verdade que, hoje, mais ou menos todos os jovens e todas as pessoas experimentam o fascínio de tantos ídolos que se colocam no lugar de Deus e parecem dar esperança: o dinheiro, o poder, o sucesso, o prazer”.

“É necessário enfrentar os problemas que estão na raiz do uso das drogas, promovendo maior justiça, educando os jovens para os valores que constroem a vida comum, acompanhando quem está em dificuldades e dando esperança no futuro”.

“Na Cruz, Jesus se une a tantos jovens que perderam a confiança nas instituições políticas, por verem egoísmo e corrupção, ou perderam a fé na Igreja, e até mesmo em Deus, pela incoerência de cristãos e ministros do Evangelho”.

“Os avós são importantes na vida da família para comunicar o patrimônio da humanidade e a fé que são essenciais para qualquer sociedade”.

“Espero que, no final da Jornada, a consequência seja uma confusão. Quero agito nas dioceses, que vocês saiam às ruas. Vamos nos defender do comodismo, do clericalismo, de ficarmos fechados em nós mesmos. A Igreja não pode converter-se numa ONG”.

“Obrigado! Obrigado! Obrigado a vocês todos pela magnífica acolhida nesta maravilhosa cidade do Rio de Janeiro”.

Frei Neylor, irmão menor e pecador
neylor.tonin@terra.com.br
www.freineylor.net

  • Passeio do papa Francisco pelas ruas do Centro do Rio
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De Coração Aberto - Jovens hoje, adultos amanhã

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Frei Neylor Tonin - 21 de julho de 2013 às 11:32
arquivo / Abr
Jovens recebem os ícones da Jornada Mundial da Juventude

Jovens hoje, adultos amanhã

A JUVENTUDE NÃO É
apenas uma idade verde; é também um período da vida que sonha amadurecer, crescendo ao sol de grandes ideais e firmando-se no confronto com os conflitos inerentes à sua idade e aprendendo com a segurança das conquistas feitas pelos mais vividos. É uma idade de esperanças, de tentativas, inconformada e aventureira, romântica e lutadora. Aspira por muito, com um coração grande e sofrido e consegue sempre pouco para os grandes investimentos de seus sonhos.

MAS É UMA IDADE bonita, com uma vocação determinada para a alegria e a felicidade. Não aceita a injustiça, embora sendo muitas vezes, por precipitação e imaturidade, injusta. E, mesmo quando insensível, é impulsionada por uma sensibilidade que, mais do que virtude da vontade, é transbordamento indômito do coração.

ELES, OS JOVENS,
avançam aos tropeços, testemunhando o eterno anseio humano por uma Terra Prometida e por um Paraíso Perdido, que acreditam poder reconquistar a ferro e fogo, com a simplicidade de uma criança que eles já não são e com a certeza dos adultos que eles ainda pretendem ser.

APESAR DAS SUAS CONTRADIÇÕES
internas, os jovens devem ser levados a sério. Eles são os depositários dos grandes valores pelos quais todos lutamos. São depositários ainda verdes, é verdade, mas vivos e latejantes. Não se pode duvidar nem ameaçar a limpidez dos ideais e a autenticidade dos sonhos da juventude. Nós, adultos, precisamos parar mais demoradamente diante dos jovens, para buscar nossa própria renovação.

O PIOR ERRO que nós, adultos, podemos cometer, seria o de viver de costas para aqueles que vivem de frente para nós.

É SÓ NO DIÁLOGO entre estas duas idades que se garantirá o progresso da sociedade e o resgate da comunidade humana. Nenhuma idade pode ir a reboque da outra. Diante dos jovens é melhor errar por condescendência, antes do que por impaciência ou rejeição. Que se erre por acredita mais do que menos naqueles que serão os adultos de amanhã. Nós fomos os jovens de ontem.



Todos os PLACs (APLAUSOS) deste domingo são para o Papa Francisco que disse em recentes manifestações:

“Quem se aproxima da Igreja deve encontrar portas abertas e não fiscais da alfândega da fé”.

“Em virtude de nossas raízes comuns, o cristão não pode ser antissemita”.

“Sabe-se que a produção atual de alimentos é suficiente e, no entanto, ainda existem milhões que sofrem e morrem de fome. Estimados amigos da FAO, isto constitui um verdadeiro escândalo”.

“A comida que se descarta é como se fosse roubada da mesa de quem é pobre, de quantos têm fome”.

“Prefiro muito mais uma Igreja acidentada a uma Igreja doente por fechamento”.

“A Igreja tem necessidade de testemunhas autênticas e não de cristãos engomados, que falam de coisas teológicas, enquanto tomam chá, tranquilos”.

“São as mães e as avós que transmitem a fé”.

“Que faço da minha vida? Crio unidade ao meu redor? Ou divido com mexericos, críticas e inveja?”

“Quanto mal fazem as bisbilhotices! Quanto dano causam à Igreja as divisões entre os cristãos, o partidarismo, os interesses mesquinhos!”

“O tráfico de pessoas é uma atividade ignóbil, uma vergonha para as nossas sociedades que se dizem civilizadas”.

“Vivemos num mundo, numa cultura, onde reina o fetichismo do dinheiro:.

“O carreirismo é uma lepra, uma lepra. Por favor, nada de carreirismo!”

“A hipocrisia é a língua dos corruptos. Amam só a si mesmos e assim procuram enganar a si mesmos e aos outros. Têm o coração mentiroso. A hipocrisia é a língua dos corruptos”.

“Educar não é uma profissão, mas uma atitude, um modo de ser. Para educar, é preciso sair de si mesmo e permanecer no meio dos jovens, acompanhá-los nas etapas do seu crescimento, pondo-se ao seu lado. Dai-lhes esperança, otimismo!”

“Não se pode viver sem amigos. Isso é importante, importante”.

“É uma obrigação para o cristão envolver-se na política. Devemos envolver-nos na política, pois a política é uma das formais mais altas da caridade”.

“Atualmente, se um cristão não é revolucionário não é cristão. Deve ser revolucionário da graça”.

“Que a Santa Missa não seja para nós uma rotina superficial! Aprendei a viver a Santa Missa!”

“Ir ao encontro dos pobres não significa que devemos tornar-nos ‘pauperistas’ ou uma espécie de mendigos espirituais”.

“Desejo a todos um bom domingo. Rezai por mim e um bom almoço”.

Frei Neylor, irmão menor e pecador
neylor.tonin@terra.com.br
www.freineylor.net