Segunda, 06 de Setembro de 2010
BOGOTÁ (ANSA) - O mandatário
colombiano, Álvaro Uribe, criticou as recentes declarações do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, para quem a crise diplomática que a Colômbia
tem com a Venezuela seria um caso de "assuntos pessoais".
Uribe afirmou que Lula ignora a ameaça que representa para a Colômbia e
para o continente a presença de guerrilheiros das Forças Armadas
Revolucionárias da Colômbia (Farc) e do Exército de Libertação Nacional
(ELN) na Venezuela.
"Lula desconhece nosso esforço para buscar soluções através do diálogo.
Repetimos com todo o respeito ao presidente Lula e ao seu governo que a
única solução que a Colômbia aceita é que não se permita a presença dos
terroristas das Farc e do ELN em território venezuelano", declarou César
Velásquez, porta-voz do chefe de Governo, que deixará o cargo no dia 7
de agosto.
Ontem, após reunião com o presidente nicaraguense, Daniel Ortega, em
Brasília, Lula destacou que, em sua opinião, "não há conflito" além do
"verbal". Ao mesmo tempo, ele pediu "paciência e calma" até o início da
próxima gestão, quando a nação vizinha passará a ser comandada por Juan
Manuel Santos.
Lula disse ainda que iria se reunir com Uribe e também com o venezuelano
Hugo Chávez, além de Santos. "Estamos dispostos a construir a paz na
América do Sul", ressaltou o presidente.
A crise diplomática foi ocasionada por uma nova denúncia de que
guerrilheiros estariam na Venezuela com a tolerância do governo de
Chávez, o que fez com que Caracas rompesse os vínculos bilaterais com
Bogotá.
O caso é tema de análise dos chanceleres da União das Nações
Sul-Americanas (Unasul), que se reúnem na tarde de hoje em Quito. O
Brasil será representado pelo secretário-geral do Itamaraty, Antônio
Patriota.
O primeiro a chegar à capital equatoriana foi Jaime Bermúdez, titular do
Ministério das Relações Exteriores colombiano. "A Colômbia vem com toda
a disposição muito clara, com toda a vontade e decisão de avançar",
disse ele ao desembarcar no aeroporto Mariscal Sucre, de Quito.
O chefe da diplomacia colombiana irá apresentar "muitas evidências e
informação" do governo de Uribe para comprovar a presença de
guerrilheiros colombianos na Venezuela, versão que é rejeitada por
Caracas.
Bermúdez enfatizou ainda que seu país "não irá aceitar" a
"permissividade e a possibilidade de que as Farc e o ELN continuem
atacando pessoas, colombianos e venezuelanos".