Quinta, 09 de Setembro de 2010
ROMA, 29 JUL (ANSA) - As divergências entre os fundadores do Povo da
Liberdade (PDL) -- o premier italiano, Silvio Berlusconi, e o presidente
da Câmara dos Deputados, Gianfranco Fini -- levaram hoje ao rompimento
de uma relação de anos de proximidade.
No encontro do órgão
executivo do PDL foi aprovado um documento no qual os governistas acusam
Fini de ter adotado, junto a um grupo de seguidores, "um perfil
político de oposição ao governo, ao partido e à presidência do conselho"
diretivo.
Em nota divulgada após as discussões, a legenda diz
que tal postura foi manifestada a partir de "uma crítica demolidora
contra as decisões tomadas pelo PDL", assim como "um ataque sistemático e
direto ao papel e à figura do presidente" do Conselho de Ministros da
Itália, Berlusconi.
Ente os pontos, o texto cita que "Fini e
alguns legisladores que o seguem formularam orientações e até projetos
de lei relacionados a temas importantes, como o prazo para pessoas que
queiram adquirir cidadania [italiana] ou o voto dos imigrantes
extracomunitários em aberto contraste com a maioria" dos militantes.
Após
o encontro, Berlusconi explicou que ficou claro o "desacordo por parte
de Fini e de homens próximos a ele em relação ao governo, à maioria e ao
presidente do Conselho". O premier ressaltou ainda que a agremiação
"não pode pagar um preço demasiadamente alto de mostrar-se como uma
força dividida".
"Eu nunca respondi às críticas", pelo contrário,
"sempre tivemos uma conduta responsável, levando em consideração o
momento de crise que vivemos", expressou o primeiro-ministro.
A
ruptura com Fini, que dissolveu o seu partido de direita para criar o
PDL com Berlusconi, foi decidida por 33 dos 36 membros da cúpula da
legenda. Mas ainda não foi definido o futuro dos membros do governo
italiano que são partidários ao titular da Câmara, embora o documento
aprovado hoje contenha implicitamente um pedido de renúncia à
presidência da casa legislativa.
De acordo com a nota, Fini "não
possui mais as características de uma figura de garantia". Por outro
lado, dirigentes próximos ao político apontaram que seria impossível
propor um voto de desconfiança contra o titular da Câmara, que pode ter
uma expressão diferente à do governo. A posição é respaldada por
analistas políticos.
O tema, que dominou o debate político
italiano desta quinta-feira, fez com que parlamentares fiéis a Fini
saíssem a campo para começar a organizar novas bancadas na Câmara e no
Senado, reiterando apoio ao legislador.
Por sua vez, procurado por jornalistas, Fini evitou comentar o assunto, deixando a sede da Câmara sem fazer nenhuma declaração.
Fundado
em março de 2009, o PDL é integrado pelos antigos membros da Aliança
Nacional, de Fini, e do Movimento Social Italiano-Direita Nacional
(MSI-DN).