Terça, 09 de Fevereiro de 2010
28.08.2009 às 22:56:00 - 192 clicks
BARILOCHE, 28 AGO (ANSA) - Os presidentes da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) decidiram hoje, ao fim da cúpula realizada na Argentina, delegar ao Conselho Sul-Americano de Defesa a tarefa de analisar o novo acordo militar entre Bogotá e Washington, o que deve ocorrer em setembro.
O convênio foi o tema principal do encontro de chefes de Estado desta sexta-feira, que se estendeu por quase sete horas e terminou sem consenso.
O presidente colombiano, Álvaro Uribe, ignorou os vários pedidos feitos pelos colegas, que queriam ter acesso a detalhes da parceria com os Estados Unidos. O pacto incluirá a cessão das instalações de sete bases a um contingente de até 1.400 oficiais norte-americanos por uma década.
Em vez disso, ele reiterou que o acordo "já está fechado", mas admitiu a possibilidade de submetê-lo à análise do Conselho de Defesa.
O comunicado emitido ao fim dos debates, que foram bastante tensos em alguns momentos, afirma que a "presença de forças militares estrangeiras não pode, com seus meios e recursos vinculados a objetivos próprios, ameaçar a soberania e a integridade de qualquer nação sul-americana e, em consequência, a paz e a segurança da região".
No texto, discutido detalhadamente pelos presidentes até os últimos momentos da reunião, a Unasul não menciona de forma explícita o caso colombiano, mas sugere que os ministros da Defesa e das Relações Exteriores do bloco se reúnam na primeira quinzena de setembro a fim de "analisar os acordos existentes com países da região e extrarregionais, assim como o tráfico de armas e de drogas e o terrorismo".
Para esta reunião, os chefes de Estado pedem a definição de medidas que visem "fomentar a confiança e a segurança de maneira complementar aos instrumentos existentes no âmbito da Organização dos Estados Americanos (OEA), incluindo mecanismos concretos de implementação e garantias a todos os países, aplicáveis aos acordos existentes com [outros] países da região e extrarregionais".
"Estes mecanismos deverão contemplar os princípios de irrestrito respeito à soberania, à integridade e à inviolabilidade territorial, e de não ingerência em assuntos internos dos Estados", afirma o comunicado.
Também foi proposto fazer "uma verificação da situação das fronteiras" colombianas com os países vizinhos, cujos resultados devem ser levados aos presidentes.
A declaração ainda ressalta a importância de consolidar a América do Sul como uma "zona de paz", o que requer "estabelecer um mecanismo de confiança mútua em matéria de defesa e segurança, sustentando nossa decisão de nos abstermos de recorrer à ameaça ou ao uso da força contra a integridade territorial" de outro país.
Os líderes da região defendem "a promoção do diálogo e do consenso em temas de defesa, mediante o fomento de medidas de cooperação, confiança e transparência".
Em outro trecho, instam o Conselho de Luta contra o Narcotráfico, vinculado à Unasul e cuja criação foi oficializada na cúpula que ocorreu em Quito no dia 10, a elaborar com urgência um "Estatuto e um Plano de Ação com o objetivo de definir uma estratégia sul-americana de luta contra o tráfico ilícito de drogas e o fortalecimento da cooperação entre os órgãos especializados de nossos países".