RIO - A abertura dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro foi com as agremiações da Série Ouro, a divisão de acesso do carnaval carioca. Dezesseis agremiações se apresentaram no Sambódromo da Marquês de Sapucaí em busca do tão sonhado acesso ao Grupo Especial.
Dessas agremiações, três estão fora da disputa: Unidos de Bangu, Unidos da Ponte e Império Serrano foram afetadas pelo incêndio ocorrido no dia 12, na Maximus Confecções. O incidente destruiu as fantasias dessas escolas. Por causa disso, foi decidido que as agremiações não serão rebaixadas, mas também não vão disputar o acesso.
Já a disputa pelo título deverá ser equilibrada. União da Ilha, Estácio de Sá, União de Maricá, Porto da Pedra e Acadêmicos de Niterói despontam como os principais destaques nos desfiles. Correm por fora Tradição, Parque Acari e Vigário Geral.
Saiba como foi as duas noites de desfiles na Série Ouro:
Botafogo Samba Clube - A abertura da Série Ouro foi com uma novata. A Botafogo Samba Clube estreou na Marquês de Sapucaí com o enredo Uma Gloriosa História em Preto e Branco, do carnavalesco Alex de Souza. A agremiação alvinegra celebrou a história do Botafogo de Futebol e Regatas, com referências aos títulos da Libertadores e do Campeonato Brasileiro de 2014. O samba até empolgou quem chegava ao Sambódromo, mas a escola enfrentou problemas com as alegorias - o primeiro carro passou com módulos desacoplados. A aparência simplória de fantasias e alegorias devem fazer com que a escola lute contra o rebaixamento na apuração.
Arranco - As mães que alimentam o sagrado, de Annik Salmon, homenageou as mulheres que lutam pelos seus filhos. A agremiação de Engenho de Dentro fez um desafile para tentar seguir mais um ano dentro da Série Ouro, com fantasias bem elaboradas apesar das limitações.
Inocentes de Belford Roxo - A agremiação da Baixada Fluminense veiuo com o enredo Ewe, a Cura vem da Floresta, de Cristiano Bara, reeditando o desfile campeão do antigo Grupo B, em 2008. Seria um desfile para brigar por título, se não fosse um problema com o tripé da comissão de frente, que acabou não entrando na avenida. A escola teve problemas com a evolução, estourando o tempo em um minuto. O desfile trouxe a importância das folhas nos rituais e cerimônias.
Unidos da Ponte - Antropoceno: Ecos de Abya Yala em Meriti'yba, de Guilherme Rodrigues e Rodrigo Marques, falou sobre a relação do ser humano com a natureza. Por ter sido afetada pelo incêndio na Maximus, a agremiação de São João de Meriti não foi julgada.
Estácio de Sá - A vermelho e branco da região central do Rio apresentou o enredo O Leão Se Engerou em Encantado Amazônico, de Marcus Paulo. A Estácio abordou uma viagem do Leão, símbolo da escola, até a Amazônia, onde se torna um dos seres da floresta. A agremiação trouxe referências aos povos indígenas e mostrou qualidade nas alegorias e fantasias, além do bom canto dos componentes.
União de Maricá - Buscando uma inédita aparição no Grupo Especial, a União de Maricá apostou alto e trouxe Leandro Vieira como carnavalesco. O enredo O Cavalo de Santíssimo e a Coroa do Seu 7 falou sobre Seu Sete da Lira, uma entidade da umbanda que era incorporada pela médium Cacilda de Assis, que se tornou uma personalidade conhecida nas décadas de 1960 e 1970, sendo o seu auge quando apareceu no programa do Chacrinha, na Globo, ao fazer uma sessão ao vivo na emissora carioca. A agremiação mostrou força com ótimo acabamento nas alegorias, mas também teve problemas em evolução.
Em Cima da Hora - Ópera dos Terreiros – o canto do encanto da alma brasileira, de Rodrigo Almeida, trouxe uma exaltação à cultura afro-brasileira, misturando-a com o canto lírico. Entretanto, a agremiação de Cavalcanti teve problemas em evolução e estourou o tempo em dois minutos.
União da Ilha - Encerrando a primeira noite dos desfiles, a União da Ilha veio com o enredo BA-DER-NA! Maria do Povo, de Marcus Ferreira. A agremiação do bairro da Cacuia mostrou a história de Marietta Baderna, bailarina italiana que chegou ao Rio de Janeiro no século XIX. Suas apresentações eram consideradas escandalosas para a sociedade e seu sobrenome virou sinônimo de confusão e tumulto. A escola até apresentou um bom conjunto visual, mas teve que correr no fim do desfile.
Tradição - Após dez anos, a Tradição voltou à Marquês de Sapucaí. O enredo Reza, foi desenvolvido por Leandro Valente, e abordou as diferentes manifestações de fé. Com um bom conjunto visual em alegorias e fantasias, a escola do bairro do Campinho busca seguir na Série Ouro ou até tentar voos mais altos. Entretanto, a Tradição teve que correr para não estourar o tempo limite de 55 minutos.
União do Parque Acari - Corda de Prata - O Retrato Musical do Povo, de Guilherme Estevão, contou a história do violão e de sua importância para a cultura brasileira. Como destaque está o samba-enredo, composto por Moacyr Luz e Fred Camacho.
Acadêmicos de Vigário Geral - A agremiação apresentou o enredo Ecos de Um Vagalume, de Alex Carvalho e Caio Cidrini. O tema abordou a história do jornalista Francisco Guimarães, conhecido cronista e conhecido por ter sido o primeiro profissional a lançar um livro sobre a história do carnaval.
Unidos de Bangu - Maraka'Anandê - Resistência Ancestral, de Raphael Torres e Alexandre Rangel, contou a história da Aldeia Maracanã, uma comunidade indígena localizada no entorno do Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro.
Unidos do Porto da Pedra - A História que a Borracha do Tempo Não Apagou, de Mauro Quintaes, trouxe a história da Fordlândia, cidade industrial idealizada por Henry Ford para ser instalada na Amazônia. O objetivo era fazer da região um polo exportador de látex, mas as dificuldades logísticas fizeram o projeto ser abandonado na década de 1920. Na passarela, a Porto da Pedra veio arrojada, com destaque para as alegorias.
São Clemente - A agremiação de Botafogo apresentou o enredo A São Clemente dá Voz a quem não tem, de Mauro Leite. O enredo abordou o vira-lata caramelo, cão que é ícone da cultura brasileira, colocando-o como o símbolo daqueles que foram excluídos pela sociedade. A bateria veio vestida de São Francisco de Assis, padroeiro dos animais.
Acadêmicos de Niterói - Vixe Maria, de Tiago Martins, falou sobre a cultura da festa junina no nordeste brasileiro. Com bom samba, qualidade nas fantasias e bom canto, a agremiação está na luta para garantir o inédito acesso.
Império Serrano - A agremiação de Madureira foi a última a desfilar, trazendo o enredo O Que Espanta Miséria É Festa, de Renato Esteves. Foi uma homenagem a Beto Sem Braço, compositor e baluarte da escola. Prejudicada pelo incêndio na Maximus Confecções, a verde e branco veio com fantasias complementadas por camisas da agremiação. Um carro ainda quebrou e não pode seguir na avenida, fazendo com que os componentes tivessem que completar o desfile a pé. O Império Serrano não foi julgado nesse desfile.
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