O Repórter

Estácio, Inocentes e Maricá se destacam na primeira noite da Série Ouro

Oito escolas se apresentaram no Sambódromo da Marquês de Sapucaí

Por Rafael Max
10 de fevereiro de 2024 às 05:45
Atualizada em 01 de maio de 2024 às 17:42
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Rafael Catarcione/Riotur
A comissão de frente da União de Maricá
A comissão de frente da União de Maricá

RIO  - Oito escolas de samba da Série Ouro embalaram o Sambódromo da Marquês de Sapucaí na noite desta sexta-feira e madrugada de sábado (9 e 10), dando início à disputa por uma vaga no Grupo Especial.

Na primeira noite de apresentações, se destacaram as escolas Estácio de Sá, Inocentes de Belford Roxo e União de Maricá. A Estácio abordou a cultura negra e levou um desfile com bom acabamento estético, mas acabou estourando o tempo máximo em um minuto Já a Inocentes falou sobre os comércio de rua desde as suas origens. Por sua vez, a União de Maricá estreou na Sapucaí com um tributo ao samba-enredo. Mas ainda faltam mais oito agremiações, que vão desfilar às 21h30 deste sábado.

A grande campeã da Série Ouro será conhecida na quarta-feira de cinzas. Duas escolas serão rebaixadas para a Série Prata, que desfila na Intendente Magalhães.

Veja o que cada escola apresentou

União do Parque Acari - Estreante na Marquês de Sapucaí, a União do Parque Acari apresentou o enredo Ilê Aiyê - 50 Anos de Luta e Resistência, do carnavalesco André Tabuquine. A agremiação contou a história do bloco Ilê Aiyê, de Salvador, um dos ícones da cultura negra. No desfile, a escola passou pela religiosidade africana, as raízes culturais e étnicas da Bahia até chegar à fundação do bloco Ilê Aiyê. A meta da agremiação é ficar na Série Ouro.

Império da Tijuca - Sou Lia de Itamaracá, Cirandando a Vida na Beira do Mar foi o enredo da verde e branco do Morro da Formiga. O desfile foi idealizado por Júnior Pernambucano, trazendo a história da cantora e compositora Lia de Itamaracá, ícone da cultura pernambucana. A escola passou pela expressão artística de Lia e abordou a cultura da Ilha de Itamaracá. Em um desfile burocrático, a agremiação tenta garantir mais um ano na Série Ouro.




Uma das alegorias da Império da Tijuca (Foto: Rafael Max)

Vigário Geral - A escola tricolor apresentou o enredo Maracanaú: Bem-Vindos ao Maior São João do Planeta, de Alexandre Costa, Marcus do Val e Lino Sales. O desfile homenageou a cidade cearense de Maracanaú e os festejos de São João. A agremiação abriu com a história e a geografia do local, passando por toda a cultura de São João. Fez um desfile colorido, embora com um aspecto bastante simples, com falhas no acabamento das alegorias. A missão da escola será  tentar assegurar a presença na Sapucaí no ano que vem.

Inocentes de Belford Roxo - A Caçulinha da Baixada apresentou o enredo Debret Pintou, Camelô Gritou: Compre 2, Leve 3! Tudo para Agradar o Freguês, de Marcos Falleiros e Cristiano Bara. A escola azul, vermelho e branco contou a saga dos camelôs, a partir das pinturas do francês Debret. Foram apresentadas a arte de Debret, os primeiros mercadores,  e a arte da venda no Brasil, homenageando os sacoleiros e vendedores de rua. Com bom nível em fantastas e alegorias, a escola da Baixada Fluminense tenta surpreender na briga pelo título.

Estácio de Sá - A vermelho e branco desfilou com o enredo Chão de Devoção: Orgulho Ancestral, de Marcus Paulo. Celebrando a cultura do povo negro, a Estácio de Sá teve como ponto de partida as entidades Maria Conga e Vovó Cambinda, presente nas religiões afro-brasileiras. Foram abordados o povo de Angola, a travessia do Atlântico por causa da escravidão e a religiosidade afro-brasileira. Com ótima força na comissão de frente e com bom nível em fantasias e alegorias, a Estácio de Sá tenta voltar ao Grupo Especial. Porém, acabou estourando em um minuto o tempo máximo, o que pode comprometer a nota final na quarta-feira de cinzas. Um dos motivos pode ter sido a dificuldade para acoplar o primeiro carro.


O segundo carro da Estácio sobre Travessia, Fé e Proteção (Foto: Rafael Max)

União de Maricá - Estreante na Sapucaí, a União de Maricá apresentou o enredo O Esperançar do Poeta, desenvolvido por Wilsinho Alves. O enredo homenageou os compositores das escolas de samba, tendo como fio condutor Guaracy Sant'Anna, o "Guará". A agremiação da Região dos Lagos falou sobre o talento de compor, construindo alas que fazem referências às composições. Uma delas relembrou o enredo "33: Destino D. Pedro II", da Em Cima da Hora, que foi uma criação de Guará. Usando o carnaval e os sambas enredo, a União de Maricá fez um grande tributo aos compositores e sambistas. A escola apresentou boa plástica, grande torcida (que levantou o setor 1) e busca supreender na apuração da quarta-feira de cinzas.


Tripé da Maricá sobre a imaginação dos compositores (Foto: Rafael Max)

Acadêmicos de Niterói - A azul e branco apresentou o enredo Catopês - um céu de fitas, sobre os festejos da cidade de Montes Claros, em Minas Gerais. O enredo foi desenvolvido por Tiago Martins. A agremiação passou pelas origens de Montes Claros, destacou os grupos de Catopês e elemmentos como os Caboclinhos e Marujadas. Por fim, a escola exaltou as fitas, o maracatu e a cultura regional de Montes Claros. Na Sapucaí, a Acadêmicos de Niterói levou bastante cor em um desfile regular, tentando garantir mais um ano na Série Ouro.


Desfile da Acadêmicos de Niterói (Foto: Aline Fonseca/Riotur)

Unidos da Ponte - Fechando a primeira noite de desfiles, a Unidos da Ponte apresentou o enredo Tendendém - O Axé do Epô Pupá, de Renato Esteves. A azul e branco de São João de Meriti trouxe a origem do dendê e suas propriedades. Na Avenida, a escola abordou o cultivo do dendezeiro, primeiramente pelos negros escravizados. Depois, destacou o encontro do dendê com a Bahia, ganhando importância na cultura afro-brasileira. A escola também abordou a culinária e as oferendas com o dendê. A escola apresentou uma plástica regular, mas teve problemas na evolução. O terceiro carro demorou para entrar, pausando a escola. 

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