O Repórter

Grande Rio e Imperatriz se destacam na primeira noite do Grupo Especial

Seis escolas se apresentaram na Marquês de Sapucaí

© Alex Ferro/Riotur
A Grande Rio fez o desfile com o enredo 'Nosso Destino é ser Onça!'
A Grande Rio fez o desfile com o enredo 'Nosso Destino é ser Onça!'
Por Rafael Max
12 de fevereiro de 2024 às 06:15
Atualizada em 12 de fevereiro de 2024 às 06:39
Compartilhe a notícia:

RIO - Terminou na madrugada desta segunda-feira (12), a primeira noite de desfiles do Grupo Especial, no Sambódromo da Marquês de Sapucaí. Seis escolas de samba deram início ao cobiçado título de campeã do carnaval carioca.

Imperatriz Leopoldinense e Grande Rio largaram na frente, com desfiles que impactaram visualmente na passarela do samba. Salgueiro e Beija-Flor também não fizeram feio e estão na briga por uma posição no desfile das campeãs.

Mais seis agremiações vão desfilar a partir das 22 horas desta segunda-feira. Desfilam Mocidade, Portela, Vila Isabel, Mangueira, Paraíso do Tuiuti e Viradouro.

A grande campeã será conhecida nesta quarta-feira de cinzas. Além da vencedora, outras cinco agremiações estarão no desfile das campeãs, no sábado. Uma escola será rebaixada para a Série Ouro do ano que vem.

Veja o que cada escola apresentou na passarela do samba.

Porto da Pedra - Lunário Perpétuo: a Profética do Saber Popular foi o enredo apresentado pela agremiação de São Gonçalo. Desenvolvido por Mauro Quintaes, a escola abordou o almanaque Lunário Perpétuo, escrito no século XIV na Espanha, somando com a sabedoria popular brasileira. Depois de 200 anos, a publicação veio para o Brasil, ganhando popularidade. A agremiação abordou a alquimia, que são os estudos dos elementos naturais. Depois, falou sobre os profetas da chuva os presságios dos astros, chegando na astrologia. Em seguida, abordou as curas naturais, benzedeiros e ervas medicinais. Por fim, destacou a sabedoria da cultura popular, das mais diversas manifestações populares do Brasil. Com problemas na evolução (o último carro demorou bastante para entrar, provocando um enorme buraco), a escola corre o risco de dar um adeus precoce ao Grupo Especial.

Beija-Flor - A azul e branco de Nilópolis apresentou o enredo Um Delírio de Carnaval na Maceió de Rás Gonguila, desenvolvido por João Victor Araújo. Trata-se de uma homenagem a Maceió, trazendo o olhar da cidade através de Benedito dos Santos, o Rás Gonguila. Com esse ponto de partida, a agremiação destacou a história afro-brasileira, entre a infância de Rás Gonguila, um descendente de escravizados, e o Quilombo dos Palmares, que era localizado em alagoas. Em seguida, foi a vez de falar sobre a cultura alagoana, como o carnaval de Maceió, fazendo um paralelo com as manifestações culturais preferidas de Rás Gonguila. A escola apresentou as etnias africanas, trazendo a lembrança de Gonguila, um descendente de monarcas etíopes. Depois, a escola retratou uma viagem da corte Nilopolitana rumo a Maceió, lembrando os desfiles clássicos da Beija-Flor. A azul e branco finalizou o desfile com a diversidade cultural de Maceió. Arrojada e com grande nível técnico, a Beija-Flor largou bem, embora teve problemas no espaçamento de uma das alas.

Image
Abre-alas da Beija-Flor (Foto: Alex Ferro/Riotur)

Salgueiro - Hutukara foi o enredo apresentado pela vermelho e branco. O carnavalesco Edson Pereira mergulhou na mitologia dos Yanomami, fazendo uma celebração da Amazônia. O Salgueiro abriu o desfile mostrando a Amazônia e a luta do povo Yanomami pela floresta. A escola mergulhou na fauna e flora da Amazônia e as atividades dos Yanomami, como a caça e pesca. A luta pela terra veio em seguida, com as disputas contra mineradores e garimpeiros. Depois, a escola destacou as lideranças que lutam pelo povo Yanomami e as mais diferentes etnias indígenas que vivem na Amazônia. A vermelho e branco mostrou sua força nas fantasias e na bateria, mas com altos e baixos em alegorias. A agremiação busca aparecer no desfile das campeãs deste sábado.

O Salgueiro fez a sua defesa dos povos indígenas (Foto: Alex Ferro/Riotur)

Grande Rio - Nosso Destino é ser Onça! foi o enredo da tricolor de Duque de Caxias. Desenvolvido por Gabriel Haddad e Leonardo Bora, o enredo trouxe como base o Livro "Meu Destino é Ser Onça", sobre o mito tupinambá na criação do mundo. Segundo essa lenda, o Velho Onça, cansado da própria solidão, resolveu criar o céu de pedra e os homens. Após uma desilusão, o Velho desceu fogo dos céus, mas Tupã recriou a humanidade com uma grande tempestade para apagar o fogo. A escola exaltou a diversidade cultural dos povos indígenas, chegando ao grande destino do ser humano: brincar de ser onça. Para isso, a Grande Rio mostrou manifestações culturas que exaltam a "cultura das onças", como o próprio carnaval carioca. Em um desfile um tanto quando abstrato, a agremiação de Caxias impactou com efeitos luminosos e um desfile agradável.


Comissão de frente da Grande Rio (Foto: Alex Ferro/Riotur)

Unidos da Tijuca - O Conto de Fados foi o enredo da escola do Borel. Alexandre Louzada retratou a história de Portugal através das lendas portuguesas. A escola do pavão mergulhou fundo nas origens de Portugal, começando nas lendas pré-Império Romano. Depois, a escola passou pelas disputas pelo controle da península Ibérica, como a chegada dos romanos e dos mouros. Da formação de Portugal, foi a vez de chegar à expansão daquele reino, com as grandes navegações. Os símbolos das tradições portuguesas apareceu em seguida, como o artesanato, a pesca e o cravo e alfazema. Por fim, a escola exaltou a cultura portuguesa, como o fado, e a tradição religiosa do país. Em seu desfile, a Tijuca não se comprometeu e deve garantir mais um ano na elite do carnaval carioca.

Imperatriz - Fechando a primeira noite de desfiles, a verde e branco de Ramos apresentou o enredo Com a Sorte Virada Pra Lua Segundo o Testamento da Cigana Esmeralda. Leandro Vieira apostou no misticismo com base numa obra escrita há mais de cem anos. Para isso, a escola abordou as tradições ciganas, trazendo uma visão poética sobre como o tal testamento chegou ao Brasil. A escola mostrou a visão sobre os sonhos, pois cada um pode ter um significado diferente. Depois, a Imperatriz falou sobre a arte da quiromancia, a leitura das mãos para prever o destino. Em seguida, foi a vez de mostrar a visão astrológica cigana com os planetas e a Lua regendo cada elemento da vida humana. O mapa astral da própria Imperatriz foi traçado, já que a escola nasceu em 1959 com o signo de peixes. O enredo descreve a escola como "uma pisciana com a sorte virada para a Lua". Por fim, a verde e branco mostrou sua potência com um desfile colorido e com canto forte.

Image
Desfile da Imperatriz Leopoldinense (Foto: David Normando/Rio Carnaval)

Últimas de Rio