O Repórter

Padre é acusado de violência sexual contra monges em MG

Abusos teriam sido cometidos entre 2011 e 2018

Por OREPORTER.COM
01 de outubro de 2021 às 16:42
Atualizada em 01 de outubro de 2021 às 16:47
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reprodução / redes sociais
Padre é acusado de violência sexual contra monges em MG
Padre é acusado de violência sexual contra monges em MG

SÃO PAULO (ANSA) - O padre Ernani Maia dos Reis, líder do Mosteiro Santíssima Trindade, na cidade mineira de Monte Sião, foi acusado de assédio sexual contra oito monges e assédio moral contra outras 11 pessoas, entre os anos de 2011 e 2018.

As informações foram divulgadas pelo portal UOL e revelam que o promotor de Justiça de Monte Sião, Marco Antonio Meiken, vai determinar que a Polícia Civil de Minas Gerais abra uma investigação contra o religioso.

Segundo a publicação, o integrante do Ministério Público de MG pedirá que todos as vítimas e testemunhas sejam encontradas e interrogadas.

As denúncias vieram à tona após o site coletar relatos de crimes que teriam sido cometidos entre 2011 e 2018. As oito vítimas eram homens, com idades entre 20 e 43 anos quando sofreram o assédio sexual. Já das 11 pessoas que sofreram constrangimentos e agressões verbais, 10 eram mulheres.

Entre as vítimas de violência sexual ouvidas pela reportagem, duas contaram os ataques atribuídos a Ernani durante a investigação da Igreja Católica. Segundo elas, ninguém recebeu apoio psicológico ou financeiro da instituição.

O grupo relatou que Ernani utilizava sua autoridade para se classificar como "pai", como gostava de ser chamado, e oferecia "sessões de psicanálise" onde os abusos eram realizados.

Um dos monges, inclusive, contou que pediu conselhos ao padre sobre sua dúvida em seguir a vocação religiosa ou constituir uma família. Na ocasião, Ernani teria dito ao monge que ele é gay, colocado a mão do jovem no pênis dele e dito "você tá precisando disso aqui, de pinto".

A Igreja Católica admitiu ter conhecimento das denúncias, mas o padre só foi afastado quando pediu para deixar o mosteiro, em 2018. Na época, ele alegou "cansaço" e "crise vocacional".

Atualmente, o padre exerce a profissão de psicanalista na cidade paulista de Franca. A expectativa é de que ele também preste depoimento durante o inquérito policial. Em email enviado à publicação, a Igreja afirma que a instituição não se omitiu em relação às denúncias e "nunca negou qualquer fato (dele) ou ato atribuído quando do exercício na liderança daquela comunidade".

O texto foi assinado pelo cônego Wilson Mário de Morais, vigário geral da Arquidiocese de Pouso Alegre (MG), e não faz nenhuma menção específica sobre a natureza das acusações, que incluem violência sexual, assédio sexual e assédio moral.

"Foram constituídas auditorias, comissões de apuração em várias esferas de acompanhamento, sendo as respectivas comunicações, diretas aos representantes legais superiores (Nunciatura e Santa Sé). Nunca houve qualquer omissão nesse sentido", diz o texto divulgado pelo portal UOL.

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