O Repórter

Portela exalta luta da mulher negra em desfile com início caótico

Azul e branco de Oswaldo Cruz apresentou o enredo 'Um Defeito de Cor'

Por Rafael Max
13 de fevereiro de 2024 às 00:35
Atualizada em 13 de fevereiro de 2024 às 01:01
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Dhavid Normando/Rio Carnaval
Detalhe da comissão de frente da Portela
Detalhe da comissão de frente da Portela

RIO - Segunda escola a desfilar na última noite de apresentações do Grupo Especial, a Portela apresentou o enredo Um Defeito de Cor, dos carnavalescos André Rodrigues e Antônio Gonzaga. O enredo mostra a luta dos negros no Brasil - em especial, a figura da mulher - e teve como base o encontro da mãe Luíza Mahim e seu filho, o abolicionista Luiz Gama. A agremiação de Oswaldo Cruz se inspira no livro de Ana Maria Gonçalves.

 A estrutura do desfile começa com a ancestralidade e a importância da figura materna, apresentada no culto aos Voduns. Representando o "sagrado feminino", a comissão de frente falou sobre a ancestralidade feminina. Depois, a agremiação retratou o culto Vodum até chegar a Daomé, onde lembra dos desafios da mãe de Luiz Gama. A azul e branco mostrou a travessia forçada ao Brasil, onde se estabelece em Salvador. Um tripé coloca a estátua de Iemanjá com um barco branco na cabeça, retratando essa migração forçada.

A escola lembra o culto aos Orixás e as várias Áfricas presentes no Brasil até chegar ao sonho de Luiz Gama em coroar Luiza (ou Kehindé, segundo os Voduns) como rainha do Brasil. A escola também retratou as mulheres que tiveram seus filhos mortos vítimas de violência, ocorrido no quinto carro. A Portela lembrou da luta abolicionista de Luiz Gama, que libertou muitos negros e negras, promovendo encontro de mães e filhos, fazendo um paralelo entre afetos perdidos de mães e filhos.


Detalhe do abre-alas da Portela (Foto: Sad Coxa/Rio Carnaval)

Na avenida, a Portela apresentou um início difícil. O abre-alas demorou para entrar, sendo que a terceira parte da alegoria ficou para trás. O carro ainda teve quedas de peças esculturas, que tiveram que voltar para a concentração.

A Portela teve como destaque a coreografia da comissão de frente e o próprio abre-alas que, apesar dos problemas, tinha ótimo visual. Com o início caótico, a azul e branco de Oswaldo Cruz deve ficar bem distante das primeiras colocadas.

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