Hoje é o Dia do Jornalista. E, curiosamente — ou simbolicamente — é também o dia em que o OREPORTER.COM completa 17 anos.
Confesso: quase deixei essa data passar em branco.
Não por falta de importância. Muito pelo contrário. Mas porque estou imerso naquilo que, no fundo, define o que é ser jornalista: apurar, construir, refazer, pensar o agora e o próximo ao mesmo tempo. Entre a reformulação do portal e a criação de novos projetos, o tempo escorre — e a pauta nunca espera.
Ser jornalista é isso. É viver num estado permanente de atenção. Tudo reverbera.
Da guerra no Oriente Médio às discussões mais improváveis de um reality show como o BBB. Não existe hierarquia emocional para quem trabalha com informação. Existe responsabilidade. Porque, no fim, alguém está do outro lado esperando entender o que está acontecendo — seja no mundo ou no Brasil, seja na política ou no entretenimento.
E eu não posso escolher ignorar.
Quem lê o OREPORTER.COM espera respostas. E isso não é um peso — é um compromisso que dá sentido ao que faço.
Sou jornalista desde que me conheço por gente. Antes mesmo de entender a dimensão da profissão, eu já buscava histórias, conexões, significados. Hoje, sigo exatamente assim — talvez mais cansado em alguns dias, mais pressionado em outros —, mas também mais certo de que fiz a escolha certa.
Porque o jornalismo, para mim, nunca foi apenas uma carreira. É uma forma de existir.
Gosto dessa dinâmica de rotina sem rotina. De uma agenda que é séria, mas nunca previsível. De acordar sem saber exatamente qual será o grande assunto do dia — e, ainda assim, estar pronto para ele.
Como disse Clóvis Rossi, “o jornalismo é, antes de tudo, uma forma de testemunhar a história”. E talvez seja isso que mais me move: estar presente, registrar, traduzir.
Ricardo Boechat costumava lembrar que “o jornalista não é o protagonista da notícia — ele é o intermediário”. E essa consciência muda tudo. Tira o ego do centro e coloca o público no lugar certo.
Já Gay Talese, um dos mestres do jornalismo literário, mostrou que contar uma história vai muito além de relatar fatos — é mergulhar neles. É sentir.
E talvez seja por isso que essa profissão seja tão intensa.
Porque a gente não apenas informa — a gente absorve.
E, sim, há dias em que cansa. Em que irrita. Em que dá vontade de desligar tudo.
Mas, se é pra odiar, a gente odeia com paixão.
Porque, no fundo, é o mesmo sentimento que nos mantém aqui.
O mesmo que faz a gente abrir mais uma aba, checar mais uma fonte, escrever mais um parágrafo.
O mesmo que me fez, mesmo quase esquecendo a data, parar agora e escrever esse texto.
Hoje, no Dia do Jornalista, celebrando os 17 anos do OREPORTER.COM, eu só tenho uma certeza: Eu não saberia ser outra coisa.
E, sinceramente, nem gostaria.
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