O Repórter

Viradouro, Mangueira e Vila Isabel se destacam na última noite do Grupo Especial

Apuração será na quarta-feira de cinzas

© Alexandre Vidal/Rio Carnaval
A Viradouro encerrou a noite de desfiles do Grupo Especial
A Viradouro encerrou a noite de desfiles do Grupo Especial
Por Rafael Max
13 de fevereiro de 2024 às 06:04
Atualizada em 13 de fevereiro de 2024 às 06:18
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RIO - Terminou na madrugada desta terça-feira (13), a segunda e última noite dos desfiles das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro. Seis agremiações se apresentaram no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, completando a cobiçada disputa da elite do carnaval carioca.

Na segunda noite de apresentações se destacaram Mangueira, Vila Isabel e Viradouro. A verde e rosa homenageou Alcione, enquanto que a azul e branco trouxe a origem do mundo através dos orixás. Já a vermelho e branco de Niterói trouxe o culto ao vodum serpente.

A grande campeã será conhecida nesta quarta-feira (14), na apuração que será realizada na Cidade do Samba. Além da vencedora, será conhecida a escola que descerá para a Série Ouro da LIGA RJ.

Veja o que cada escola apresentou:

Mocidade - A agremiação de Padre Miguel apresentou o enredo Pede caju que dou... Pé de caju que dá!, desenvolvido por Marcus Ferreira. A verde e branco abordou a história da fruta do cajueiro, revelando as suas lendas e curiosidades. Para contar o enredo, a escola fez uma brincadeira, substituindo a banana - de origem asiática - pelo caju como fruto símbolo do Brasil. A comissão de frente relembra Carmen Miranda, mas agora levando o caju como a grande cara do país. Depois, a escola o movimento cultural do Tropicalismo, que dialoga com a proposta da Mocidade. A escola retratou as tribos indígenas e a chegada dos europeus, que logo se interessaram pelo caju. Também foi lembrada a disputa entre os dois maiores cajueiros do mundo, localizados no Rio Grande do Norte e no Piauí. A Mocidade também faz menção à obra de Tarsila do Amaral e Debret, mostrando o Brasil no contexto do caju. Por fim, a escola coroou o caju como grande símbolo do Brasil. Em seu desfile, a Mocidade se destacou pelo canto forte dos componentes, impulsionados pelo samba que é um dos hits do carnaval.

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A porta-bandeira da Mocidade, Bruna Santos (Foto: Dhavid Normando/Rio Carnaval)

Portela - A agremiação de Madureira mostra o enredo Um Defeito de Cor, dos carnavalescos André Rodrigues e Antônio Gonzaga. O enredo mostra a luta dos negros no Brasil, tendo como base o encontro da mãe Luíza Mahim e seu filho Luiz Gama. A estrutura do desfile começa com a ancestralidade e a importância da figura materna, apresentada no culto aos Voduns. A escola lembra o culto aos Orixás e as várias Áfricas presentes no Brasil até chegar ao sonho de Luiz Gama em coroar Luiza (ou Kehindé, segundo os Voduns) como rainha do Brasil. A Portela lembra também da luta abolicionista de Luiz Gama, que libertou muitos negros e negras, promovendo encontro de mães e filhos, fazendo um paralelo entre afetos perdidos de mães e filhos. A escola teve dificuldades com seu primeiro carro, que demorou para entrar e paralisou o andamento do desfile.

Vila Isabel - A azul e branco reeditou o enredo Gbalá - Viagem ao Templo da Criação, de 1993. O samba composto por Martinho da Vila será embalado no desfile desenvolvido por Paulo Barros. O enredo aborda a criação do mundo, a importância das crianças e os ensinamentos dos orixás. No desfile, a Vila Isabel retrata a pureza das crianças como a maneira de restabeler o criador com sua criação, passando pelos grandes problemas da humanidade, como a guerra e a devastação ambiental. Em seguida, a agremiação aborda os seres da natureza e o corpo humano. A partir daí, a escola passa pelos valores ensinados por cada Orixá, até chegar aos ensinamentos para que as crianças valorizem os cuidados da saúde do corpo, da mente e do espírito. Em seu desfile, a Vila apresentou bom visual e busca melhorar a terceira posição no ano passado.


O carro sobre o corpo humano da Vila Isabel (Foto: Alex Ferro/Riotur)

Mangueira - A Negra Voz do Amanhã foi o enredo apresentado pela Estação Primeira de Mangueira, sendo desenvolvido por Annik Salmon e Guilherme Estevão. Trata-se de uma homenagem a Alcione, que completa 50 anos de carreira. A verde e rosa passeou pelas origens de Alcione, desde sua vida no Maranhão. Para isso, a agremiação lembrou das festas tradicionais do estado localizado na Região Nordeste. Assim, Alcione chegou ao Rio de Janeiro, onde iniciou sua caminhada na música. A escola lembrou de sua passagem em programas de calouros na televisão, chegando aos seus primeiros discos. A Mangueira preparou alas que relembraram seus sucessos e destacou a importância de Alcione na diversidade cultural brasileira. Com uma homenagem que levantou a Sapucaí, a verde e rosa tenta entrar na briga pelo título.


Alcione foi a homenageada da Mangueira (Foto: Marco Terranova/Riotur)

Paraíso do Tuiuti - Glória ao Almirante Negro foi o enredo apresentado pela escola de São Cristóvão. André Gonçalves, Júlio César Garcia e Lane Santana fizeram uma homenagem ao marinheiro João Cândido, líder da revolta da chibata, a luta contra os maus tratos aos marinheiros negros. Contando a história de um filho de escravizados, a escola lembra da desilusão com a Proclamação das República, que não garantiu maior liberdade aos negros. A escola retratou a infância de João Cândido e seu início na Marinha. Inspirado pela revolta do Potenkim, na Rússia, João Cândido inicia sua revolta contra os maus tratos aos marinheiros. Após a revolta, João Cândido viveu como pescador, mas a escola tratou de retratá-lo como um símbolo na luta contra o racismo. Com um desfile que teve a ingrata missão de vir após o arrebatador desfile da Mangueira, o Tuiuti fez uma apresentação com o objetivo de continuar no Grupo Especial.

Unidos do Viradouro - Fechando a noite de apresentações, a escola de Niterói mostrou o enredo Arroboboi, Dangbé, de Tarcísio Zanon. A vermelho e branco mostrou o culto ao vodum serpente. A primeira parte do desfile retratou as guerreiras de Dangbé na comissão de frente e a cerimônia de honra à divindade Vodum Dangbé no abre-alas. A escola mostrou todo o misticismo e religiosidade desse tipo de culto e lembrou das guerreiras de Daomé, que buscavam proteger seu reino. O setor seguinte mostrou a formação do Candomblé Jejé no Brasil. A escola abordou o sincretismo religioso com um uso da imagem de São Bartolomeu. Por fim, a Viradouro celebra o legado das guerreiras Dangbé com a chegada do culto aos Voduns no Brasil. Com um desfile rico visualmente, a escola entra como uma das candidatas ao título.

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Detalhe da comissão de frente da Viradouro (Foto: Dhavid Normando/Rio Carnaval)

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